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OLÁ! EU SOU A SILVANA

Consultoria, Mentoria e Capacitação de Professores

Trago uma experiência de mais de 20 anos formando professores para melhoria da aprendizagem através de metodologias ativas com base em pesquisas. 

PhD e Mestre em Educação pelo King’s College, Universidade de Londres, trabalhei com integração de tecnologia no ensino e coaching de ensino-aprendizagem.

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AULA é EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM? E como desenhar uma experiência  AUTÊNTICA

Um(a) educador(a) está lá de frente para o planejamento de um curso pensando que deve ser importante incluir “experiências de aprendizagem”, mas se pergunta o que isso realmente significa? Talvez você já tenha se deparado com definições rebuscadas, com objetivos muito amplos ou genéricos, ou tenha ouvido que basta incluir metodologias ativas, como gamificação ou aprendizagem baseada em projetos. Mas será que essa “experiência” de aprendizagem vai, de fato, acontecer para os estudantes? E, mais importante, ela irá realmente gerar um impacto significativo nos resultados de aprendizagem?

No ensino internacional, “experiência de aprendizagem” está muito associado às chamada “experiências de aprendizagem autêntica”. Isso quer dizer, atividades que aproximam o conhecimento de sua aplicação no mundo real. Em vez de simplesmente pedir aos estudantes que calculem a distância percorrida pelo carro A, por exemplo, podemos desafiá-los com um problema mais relevante: como determinar a distância segura entre seu carro e o veículo à frente ao dirigir em uma estrada. Ou, em vez de simplesmente ensinar sobre aquecimento global, propor que os estudantes  escrevam uma carta de reivindicação para a sua prefeitura sobre um problema real na sua comunidade, resultante do aquecimento global. 

Em termos gerais, uma experiência de aprendizagem autêntica busca se aproximar da realidade, mas essa abordagem nem sempre é viável ou simples de implementar. Quando não conseguimos aproximar a experiência em si do que é real, podemos ao menos promover uma reflexão sobre a relação desta experiência com a realidade. Isso envolve sempre considerar o “para quê” aprendemos alguma coisa. Acho que essa é a linha mestra de uma experiência de aprendizagem, em poucas palavras. 

A seguir vamos entender um pouco melhor alguns princípios fundamentais de uma experiência de aprendizagem, que pretende desenvolver nos estudantes habilidades e competências úteis para a sua vida e seu trabalho. 


Pense e comunique o PARA QUÊ do objetivo de aprendizagem

A “experiência de aprendizagem” realmente acontece para o estudante quando há clareza sobre o “para quê” aprender determinado conteúdo. Esse propósito é a base para que ele(a) estabeleça conexões significativas com seu conhecimento prévio, seus interesses e suas necessidades. Além disso, o “para quê” está diretamente conectado a um objetivo de aprendizagem claro, voltado para o desenvolvimento de uma habilidade relevante e aplicável.

Por isso, antes mesmo de propor uma reflexão ou atividade que revele o “para quê” de aprender um conteúdo, é fundamental definir com clareza o objetivo de aprendizagem. Surpreendentemente, o ensino ainda carece desse tipo de precisão. Para ilustrar a importância de um objetivo bem definido, voltado para o desenvolvimento de habilidades e não apenas para o conteúdo, vejamos um exemplo simples.

Vamos supor que o ensino pretende desenvolver nos estudantes a habilidade de fazer sucos saudáveis. Apesar de ser um objetivo, este ainda é bastante genérico e impreciso. Precisamos nos perguntar: fazer sucos saudáveis “para quê”? Sem um propósito claro, a tendência seria ensinar o conceito de alimento saudável, e ensinar alguns tipos de ingredientes que podem compor um suco saudável. Mas esta seria uma aprendizagem baseada na compreensão de conteúdo, e portanto com baixo nível de desafio cognitivo. Com essa “compreensão” do que é suco saudável, os estudantes poderiam desenvolver uma consciência e talvez fazer algumas escolhas pessoais. 

Para adicionar um pouco mais de “autenticidade”, poderíamos afirmar que o estudante desenvolverá a habilidade de “preparar sucos saudáveis para atender às suas necessidades nutricionais individuais”. Essa habilidade já traz um “para quê” mais claro e diretamente conectado com a realidade do estudante. Durante o processo de aprendizagem, o estudante pode realizar uma análise mais detalhada da própria alimentação, utilizando um aplicativo gratuito que decompõe seu cardápio diário em nutrientes essenciais. Com base nisso, o estudante poderá escolher sucos saudáveis, levando em consideração as carências nutricionais de sua dieta habitual. Essa sim é uma “experiência de aprendizagem”, a partir de um objetivo claro, voltado para uma habilidade relevante. 

Se você quiser saber mais sobre este assunto, leia meu artigo:

O PODER das PALAVRAS no OBJETIVO DE APRENDIZAGEM: Saiba como impactar seus estudantes


Ofereça AULAS expositivas +CURTAS e com +FOCO

O que acontece quando passamos a ter mais consciência sobre o tempo que dedicamos a uma aula expositiva e até mesmo ao tempo gasto explicando uma atividade? No mínimo, os estudantes ganham mais tempo para se engajar no conteúdo de aprendizagem, o que já é um grande benefício. Além disso, ao reduzir conscientemente o tempo da aula expositiva, surge a necessidade de focar no que é essencial. Esse é o caminho para abrir espaço para a verdadeira experiência de aprendizagem dos estudantes. 

Uma “experiência de aprendizagem” exige tempo para que os estudantes se engajem em esforço produtivo e em reflexão.  Isso porque a “experiência” de aprender é mais interna do que externa, e para isso precisamos planejar oportunidades de engajamento cognitivo e afetivo para nosso estudantes. Este planejamento é uma forma de continuar o ensino, que deixa de ser predominantemente expositivo para se tornar um processo mais engajado. 

Quando existe mais tempo para o estudante se envolver em processos de pesquisa, em tentativas, descoberta e reflexão, o seu percurso de aprendizagem fica mais visível. É justamente sobre esse processo visível de aprendizagem que o(a) professor(a) continuará ensinando, por meio de feedbacks e explicações mais eficazes, pois são ajustados às necessidades do estudante.

Além disso, aulas mais curtas e focadas facilitam a aplicação imediata do conhecimento, tornando o ensino mais produtivo. A necessidade de foco nos obriga a dividir um tema em partes menores, o que auxilia os estudantes a conectar o novo conteúdo ao seu conhecimento prévio, além de atender aos seus interesses e necessidade. É como diminuir a velocidade do ensino para que este seja mais bem assimilado e digerido. Essa abordagem não exclui a possibilidade de apresentar o panorama geral de um assunto antes de explorar seus detalhes de forma gradual (na verdade até ajuda o cérebro a aprender, desde que a apresentação geral seja concisa).

Se você quiser saber mais, leio o meu artigo:

MICROLEARNING como CONTEÚDO em pequenas doses para experiências de aprendizagem ATIVA


Ofereça e promova BOAS PERGUNTAS com investigação de RESPOSTAS

Um aspecto essencial da “experiência de aprendizagem” é permitir que os estudantes questionem o conhecimento, tentem encaixar o novo conteúdo em suas expectativas ou necessidades e, sobretudo, levantem dúvidas que serão gradualmente esclarecidas ao longo do processo. Por isso a habilidade de fazer “boas perguntas” é importante de ser ensinada e aprendida.

Uma pergunta pode ser isso mesmo, ou pode ser uma provocação. Esse é o gancho inicial que engaja o cérebro dos estudantes,  despertando uma série de novas questões. Mas é preciso ter cuidado e saber navegar nesse território com um planejamento intencional. A abordagem construtivista original, ao permitir que os estudantes direcionassem o conteúdo livremente, muitas vezes resultou em professores e alunos perdidos no processo.

Por isso é preciso definir um objetivo de aprendizagem muito claro desde o início, e guiar as perguntas dos estudantes em relação a esse foco. Interesses tangenciais ou completamente distintos podem ser enriquecedores, mas devem ser abordados de forma breve ou reservados para outro momento do currículo. 

Existem algumas estratégias úteis para ajudar os estudantes a formular perguntas que esclareçam a provocação proposta pelo(a) professor(a). Uma delas é incentivar um olhar mais sistemático, explorando questionamentos baseados em “o que”, “como”, “quando”, “onde” e “quem”. Outra abordagem complementar é ensinar a diferenciação entre perguntas “abertas” (mais amplas e exploratórias) e “fechadas” (mais específicas e diretas), além de ajudar os estudantes a organizar suas perguntas por prioridade. Tudo isso, é claro, sem substituir as perguntas espontâneas, mas ampliando a qualidade do processo investigativo.

As perguntas são fundamentais no processo de pesquisar e discutir as respostas, por isso vale dedicar um tempo a elas. Se você quiser saber mais sobre “boas perguntas”, leia o meu artigo:

3 Abordagens para Ensinar seus Estudantes a Fazer (BOAS) PERGUNTAS


Ofereça FEEDBACK e TEMPO para os estudantes agirem sobre este feedback

Uma “experiência de aprendizagem” precisa incluir momentos de reflexão sobre o que foi aprendido, permitindo que os estudantes monitorem seu progresso e, idealmente, definam seus próximos passos na jornada de aprendizagem. Essa reflexão pode ocorrer por meio de debates em sala de aula ou em grupos, mas é essencial que vá além da discussão de conteúdos. O foco deve estar em desenvolver uma reflexão estratégica sobre o próprio processo de aprender, ajudando os estudantes a identificar as melhores estratégias para apoiar seu desenvolvimento de forma autônoma e contínua.

Por isso, o feedback é fundamental, pois funciona como uma poderosa ferramenta de ensino e aprendizagem, amplificando o impacto nos resultados. No entanto, para que tenha esse impacto, ele deve ser focado em um aspecto específico de qualidade por vez e ser relevante para o momento de aprendizagem do estudante. O feedback também precisa ser gentil, focando no processo de aprendizagem e não na pessoa do estudante, para que ele se sinta encorajado a progredir e aprimorar suas habilidades.

O feedback tem mais chances de ser eficaz quando consideramos os elementos discutidos anteriormente neste artigo. Ao comunicar um objetivo de aprendizagem claro e relevante, oferecemos ao estudante uma direção, tornando o feedback mais significativo. Quando as aulas são curtas e focadas, os estudantes têm mais tempo para se engajar em atividades de aprendizagem ativa, tornando seu processo visível e facilitando um feedback realmente útil. Da mesma forma, quando a aprendizagem estimula questionamentos, o pensamento dos estudantes se torna mais evidente, permitindo intervenções mais precisas e eficazes.

E o feedback não precisa vir apenas do(a) professor(a). Os próprios estudantes podem oferecer feedback uns aos outros, trazendo perguntas e perspectivas muitas vezes mais próximas da realidade de seus colegas do que a visão do professor, que já domina o conteúdo. No entanto, para que isso aconteça de maneira eficaz, é essencial que o(a) professor(a) seja um exemplo de como fornecer feedback, ensinando os estudantes a praticar escuta ativa e a fazer comentários gentis e construtivos.

Para saber mais sobre este tipo de feedback, leio o meu artigo:

FEEDBACK “EFICAZ” como forma de ENSINAR nas metodologias ativas

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