O termo microlearning tem se popularizado principalmente no ensino corporativo, mas a ideia de microlearning como conteúdo em pequenas doses já existe faz muito tempo e representa uma estratégia fundamental na implementação de metodologias ativas. Sendo assim, “microlearning” serve para qualquer tipo de ensino, do básico ao superior, de cursos livres a cursos corporativos.
O que eu vou escrever aqui sobre microaprendizagem se baseia em duas fontes de conhecimento que prezo muito e utilizo em minhas intervenções pedagógicas, por serem baseadas em pesquisas amplamente reconhecidas. A primeira delas representa meu encontro com um programa fantástico para transformar alunos em escritores”, chamado “Writing Workshop”, baseado na pesquisa de de Lucy Calkins, Teachers College, University of Columbia. A segunda envolve pesquisas em ciência da aprendizagem relacionadas a memória, carga cognitiva e metacognição, tão importantes para o sucesso de qualquer aprendizagem.
O desenho de experiências de aprendizagem ativa

Uma experiência de aprendizagem é exatamente isso, uma experiência para o aprendiz e não para o(a) professor(a). Por isso é importante reduzir o tempo das aulas expositivas, dividindo-as em pequenas partes que podem ser imediatamente seguidas de uma atividade de aplicação prática do quer acabou de ser ensinado. Esse é o chamado microlearning ou microaprendizagem. Mas só funciona mesmo se for seguido de uma aplicação prática. Caso contrário, muito do efeito da microaula tende a ser perdido. Essa é a essência do microlearning e condição essencial para que a aprendizagem seja eficaz.
As pequenas doses de conteúdo são importantes porque o cérebro não consegue assimilar muitas informações novas de uma vez só. E para que exista de fato assimilação em estruturas bem organizadas na memória de longo prazo, é necessário que as doses de conteúdo sejam praticadas em atividades significativas. O “tamanho” dessas pequenas doses de conteúdo depende da carga cognitiva que ela acarreta nos seus aprendizes: quanto mais novatos, menos complexa é a dose.
No caso do “Writing Workshop” que eu mencionei no início, a grande sacada é um bom design de microlearning (mini-aula) onde o conteúdo é explicado e sua aplicação é demonstrada através de um exemplo. Essa abordagem é eficaz porque nem sempre a conexão entre conteúdo e sua aplicação é imediata: normalmente precisamos entender qual é a “cara” de uma idéia na prática. Vamos lembrar que a “aplicação” de um conteúdo envolve um SABER FAZER alguma coisa com aquele conteúdo, ou seja, envolve uma HABILIDADE. Sendo assim, um microlearning eficaz deve incluir não só a dose de conteúdo mas uma demonstração da sua aplicabilidade.
O tamanho, o número e a “cara” das pequenas doses de conteúdo

Saber dividir o conteúdo em pequenas partes significativas em si mesmas, mas ainda assim conectadas em uma progressão de aprendizagem, requer planejamento com intencionalidade. Isso é muito diferente da abordagem tradicional ou intuitiva, de dividir um conteúdo em subtópicos. Subtópicos são normalmente o produto do conhecimento já estabelecido de um especialista, e não a forma como os estudantes precisam aprender.
Para conseguir dividir o conteúdo da melhor forma para o aprendiz, é necessário primeiro pensar no objetivo de aprendizagem final. Ou seja, é preciso ter clareza sobre a aprendizagem que queremos ver como resultado. E esta aprendizagem final não deve ser uma soma de conteúdos e sim uma habilidade, ou uma capacidade de FAZER algo com aquele conteúdo.
A partir do momento em que temos um objetivo de aprendizagem claro, para o curso ou para a unidade de estudo, planejamos de forma “reversa”, considerando o que o estudante precisa aprender e SABER FAZER, passo a passo, para chegar a este objetivo final. Assim, o nosso planejamento e divisão de conteúdo se dá pela “aprendizagem” que deve ser atingida a cada passo, e não por subtópicos do conteúdo. Lembrando que neste planejamento reverso, as miniaulas oferecem o conteúdo que será imediatamente utilizado durante a atividade prática. E a atividade prática também faz parte do planejamento e representa uma continuação do ensino, como veremos a seguir.
A mediação como parte integrante do microlearning

A mediação do professor(a) é uma parte importante do ensino e acontece quando os alunos estão trabalhando de forma independente. Para que exista tempo de mediação, é necessário cortar o tempo de aula expositiva com o microlearning. Essa abordagem não implica menos qualidade de ensino, pelo contrário, esta abordagem ajuda a melhorar a aprendizagem. A aprendizagem melhora porque o professor(a) fica mais livre para observar e ouvir os alunos durante sua atividade, oferecendo feedback mais específico e útil. Este feedback pode acontecer individualmente ou em pequenos grupos.
Além de planejar miniaulas seguidas de atividades, é preciso “praticar” o ensino em pequenas dose para não entrar no “modo automático” e acabar falando tempo demais e deixando tempo de menos para a mediação da atividade dos estudantes. Como prática, vale até marcar o próprio tempo de fala como professor e ir cortando ao estritamente necessário (todos nós temos a tendência de falar demais – eu sei que tenho). O desenho da atividade é que vai oferecer a verdadeira oportunidade de aprendizagem, juntamente com a mediação do professor(a). Para isso, as atividades práticas devem despertar o conhecimento prévio do estudante e propor desafios apropriados para absorção de novos conteúdos.
Nesta abordagem seguimos a ciência da aprendizagem: focamos em um ponto de cada vez, favorecendo a prática e a conexão com todo o contexto ensinado. Assim nos movemos um passo de cada vez, sendo que cada passo é bem pisado, e segue uma trajetória bem clara para os alunos.
Para saber mais sobre este assunto …

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