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OLÁ! EU SOU A SILVANA

Consultoria, Mentoria e Capacitação de Professores

Trago uma experiência de mais de 20 anos formando professores para melhoria da aprendizagem através de metodologias ativas com base em pesquisas. 

PhD e Mestre em Educação pelo King’s College, Universidade de Londres, trabalhei com integração de tecnologia no ensino e coaching de ensino-aprendizagem.

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Queremos que os estudantes apliquem o que aprendem. Mas até onde estamos dispostos a aproximar o ensino do mundo real?

O ensino sempre conviveu com uma ilusão: a de que, se o estudante compreender bem o conteúdo, vai saber aplicar quando necessário. Mas isso não acontece, e você vai entender porquê.

Outra ilusão é acreditar que listas de exercícios ou questões “muito semelhantes” aos trabalhados em sala são suficientes para desenvolver essa capacidade de aplicar o que foi aprendido, ou pelo menos preparar o estudante para a aplicação quando surgir uma situação real.

A Taxonomia de Bloom explica muito bem essa diferença entre COMPREENDER e APLICAR, e nos provoca a refletir se o nosso ensino realmente oferece as oportunidades de aprendizagem necessárias para desenvolver essa capacidade.

Neste artigo você vai entender melhor o que significa APLICAR conhecimento, e como essa proposta tem tudo a ver com a complexidade da vida real.

COMPREENDER não é o mesmo que SABER APLICAR

Porque ensinar se não é para ser aplicado? Fica a provocação.

Esse tipo de pergunta muitas vezes parte dos próprios estudantes: “Porque preciso aprender isso?” E como resposta, muitos argumentos giram em torno da ideia de que a aprendizagem está “desenvolvendo estruturas” mentais ou algo assim. 

O problema é que esse tipo de resposta acaba justificando um ensino sem objetivo claro. O resultado é uma aprendizagem desconectada de situações em que esse conhecimento realmente poderia ser utilizado

Se todos os estudantes realmente aprendessem a aplicar conceitos como porcentagem, regra de três e equações de primeiro grau, então todos os estudantes seriam capazes de entrar em uma loja na vida adulta e decidir qual opção de compra é mais vantajosa, considerando descontos, parcelamentos, inflação ou até a taxa Selic.

Mas sabemos que isso não acontece. E essa capacidade de tomar decisões financeiras fundamentadas seria extremamente importante para a população em geral.

E isso não acontece porque a maior parte dos estudantes aprendeu a resolver problemas muito específicos, para depois fazer provas com problemas muito parecidos.

Compreender o que significa porcentagem em problemas específicos não significa saber aplicar porcentagem na loja, quando confrontado com opções de desconto e parcelamento. 

Benjamim Bloom nos explica que a capacidade de APLICAR conhecimento está relacionada com a capacidade de “transferir” o que foi aprendido para inúmeros contextos, nunca encontrados antes:

O fato de que a maior parte do que aprendemos se destina à aplicação em situações problema da vida real, indica a importância de objetivos voltados para a aplicação como parte do currículo. A efetividade de uma grande parte dos programas de ensino depende, portanto, de quanto os estudantes conseguem transferir sua aprendizagem para situações nunca encontradas antes… Pesquisas já demonstraram que compreender uma abstração não certifica que o indivíduo será capaz de aplicá-la corretamente.”  (Tradução livre) – Benjamim S. Bloom, TAXONOMY OF EDUCATIONAL OBJECTIVES : The Classification of Educational Goals

Então, o que pode ser feito? Como ensinar além da compreensão para permitir uma aplicação real. E mais do que isso, como decidir quando vale a pena investir em ensino que realmente desenvolve o nível de APLICAÇÃO da Taxonomia de Bloom?

O desafio na Taxonomia de Bloom: APLICAR significa atuar no mundo real

O nível de APLICAÇÃO descrito na Taxonomia de Bloom é bem diferente do senso comum de “aplicar”. 

Uma leitura superficial leva a maioria das pessoas a acreditar que basta pedir ao estudante para “aplicar” a fórmula em uma lista de exercícios. Mas esse é o problema das leituras superficiais ou informações rápidas. Veja o que Bloom realmente diz sobre aplicação:

“Aplicação requer um passo além da compreensão. Dado um problema novo para o estudante, ele irá aplicar o conceito apropriado sem ser induzido sobre qual conceito é o correto ou sem que se mostre como fazer neste situação”.  (Tradução livre) – Benjamim S. Bloom, TAXONOMY OF EDUCATIONAL OBJECTIVES : The Classification of Educational Goals

O que é mais desafiador ensinar: aplicação de uma fórmula em um problema conhecido ou escolha de qual fórmula aplicar em um problema desconhecido? 

É certamente mais desafiador ensinar  APLICAÇÃO na segunda opção, de acordo com a Taxonomia de Bloom. Mas também é mais gratificante, com aplicação prática na vida real do estudante onde o(a) professor(a) não vai estar presente para dizer ou induzir à resposta certa.

Mas isso significa que precisamos ensinar tudo nesse nível? Você pode argumentar que não há tempo suficiente para isso. 

Por isso é muito importante priorizar o que vamos ensinar em um nível real de aplicação segundo a Taxonomia de Bloom. 

Ensinar a aplicação de porcentagem de forma autônoma é certamente útil para a vida de qualquer pessoa, como mostra o exemplo da escolha entre opções de compra, descontos, etc. Então vale a pena dedicar um pouco mais de tempo a um ensino deste conceito. 

E como fazer isso? Como o ensino de APLICAÇÃO, para realmente desenvolver esta habilidade, difere da aplicação de fórmulas em exercícios ou respostas a questões?

ENSINAR para a APLICAÇÃO exige contexto, tomada de decisão e prática

A dica de ouro quando queremos ensinar para a APLICAÇÃO é oferecer diversas oportunidades de utilização de um conceito, mas em contextos bem diferentes.

E porque a aplicação de um conceito em contextos diferentes é tão importante? Porque é através dos padrões entre diferentes situações (contextos), que o cérebro começa a realmente entender como o conceito funciona e se aplica.

Vejamos o exemplo da porcentagem: uma coisa é entender o cálculo e repetir esse cálculo em exercícios; outra coisa é reconhecer que a porcentagem se aplica nas mais diversas situações. 

O que seriam diferentes contextos para a aplicação da porcentagem? Por exemplo: comparação entre descontos e parcelamento, interpretação de pesquisas eleitorais com marchem de erro, crescimento de vendas/ lucro /custos, taca de crescimento de seguidores / engajamento /alcance em redes sociais, compreender índices de saúde como percentual de gordura, e por aí vai.

Além de oferecer oportunidades de aplicação nos diferentes contextos, discutir, dar feedback, é essencial também apoiar o estudante na aplicação autônoma do conceito. É preciso fazer esse caminho do exemplo, da prática e depois da autonomia.

Uma forma engajadora e autêntica para promover a autonomia dos estudantes na aplicação de porcentagem, por exemplo, é pedir para identificarem problemas que podem ser resolvidos com este conceito e trazer para a discussão em sala de aula.

Assim fechamos o ciclo de aprendizagem para a aplicação, estimulando a identificação autônoma de situações onde o conceito pode ser aplicado.

Essa abordagem é certamente mais desafiadora do que simplesmente dizer ao estudante: “utilize porcentagem para resolver este problema”. Mas é uma abordagem com impacto real, que certamente será percebido pelos estudantes.

PARA APRENDER MAIS sobre planejamento intencional com a Taxonomia de Bloom…

Se a sua instituição deseja compreender como a Taxonomia de Bloom pode fortalecer a intencionalidade do ensino, conheça a Palestra “Planejamento Intencional de Aulas com a Taxonomia de Bloom”, disponível no site da SilvanaScarsoED > Para Instituições.

Se o objetivo é ir além e desenvolver práticas de ensino que realmente promovam habilidades de maior complexidade, conheça o Workshop “Taxonomia de Bloom no Desenvolvimento de Habilidades”, também na seção Para Instituições.

E, se você deseja transformar a sua própria forma de planejar o ensino, com acompanhamento individual, feedback e apoio para utilizar a Taxonomia de Bloom e o planejamento reverso na prática, conheça a Mentoria “Planejamento Intencional de Aulas”, disponível no site da SilvanaScarsoED > Mentoria.

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